domingo, 10 de junho de 2012

Viver



                         Viver,



                   Quanto mais tentamos encontrar saídas inusitadas para nossos problemas, mais emaranhados e perdidos no labirinto da vida vamos ficando.
                    Procurar defeitos para depois concertá-los, fazer análises de comportamentos passados para depois mudá-los, podem em alguns casos dar certo; o que nem sempre acontece.              
   
                      Pessoas que mudam por obrigação quase nunca são felizes e as vezes nem mesmo aceitas por aqueles que as forçaram mudar.
                      Viver e ser feliz com a própria vida é nada mais que deixar que ela aconteça naturalmente, livre sem interferências bruscas.

                                                          Senhores do tempo: Nada além do horizonte.
                                                                                      HAVENNA PARAVELL.

Um time de peso.

Será que dá pra escalar Neymar, Messi, Pato e mais alguns jogadores do real Madri para nos ajudar?


                                            Quando eu morava na Terra, na base de pesquisas de Steyrtelvan, sul da Romênia, trabalhava com uma equipe de pesquisadores das forças especiais de paz da ONU. Uma aliança feita entre os demais países que estavam ligados ao portal descoberto na Romênia, algo do tipo apareceu em escavações feitas no ano 2016 no Brasil, EUA e no sul da China, esses países passaram a trabalhar juntos para descobrirem a origem do portal e de sua mais nova relíquia: EU.
                                            Na reunião com os Mestres Guardiões e Flayner eu me lembrava do que aconteceu na Romênia e nas consequências da minha presença lá. Novamente eu estava entre a cruz e a espada, em um jogo de interesses, mas quem ou o que era capaz de se colocar contra uma força tão grande como a dos guardiões. Era o mesmo que imaginar alguém normal decidir declarar guerra à LIGA DA JUSTIÇA ou aos Vingadores e com isso eu pensava em que eu iria ajudar.
                                          Na Terra eu era mandada em missões quase impossíveis no oriente médio e na Africa, agora ali todos eram bem mais preparados que eu, até as crianças eram mais inteligentes, para onde é que me mandariam e principalmente o que eu iria fazer. Foi nessa hora que me lembrei de Marcos pedindo para o técnico do time de futebol que ele torcia no Brasil escalar Neymar, Messi, Pato e mais alguns jogadores do real Madri do ano de 2012 para ajudar na conquista do campeonato brasileiro de 2025. Bem que jogadores não ajudariam muito no meu caso, mais a Mulher Maravilha, o Homem de Ferro, o Thor, o Super-homem ajudariam bastante e comecei a rir comigo mesma.
- Achou engraçado o que eu disse Havenna? - perguntou o mestre Neitan.
- Ah! O quê? - perguntei sem saber mesmo do que ele estava falando.
- Estou perguntando se eu disse algo engraçado? - perguntou.
- Não senhor, eu não estava prestando atenção no que o senhor dizia - respondi.
- Ah, não e exatamente em que você estava pensando? - perguntou.
- Campeonato de futebol - respondi.
- Acha que estamos aqui de brincadeira? - perguntou e deu soco na minha mesa ao ressaltar - Não é?
- Não senhor, só estou tentando entender o porquê? - respondi aos gritos.
- Você não tem que entender, somente acatar as ordens que lhe forem dadas, senti-se e se ousar levantar a voz mais uma vez para mim, você vai se arrepender - disse levando a mão em minha direção.
- Acho estranho que vocês com tanta força e preparo de milhares de anos não tenha achado a solução para o problema de vocês, que aliás nós não temos a mínima ideia do que se trata - falei aos solavancos tentando encontrar palavras.
- Por que acha que temos um problema? - perguntou Islaidem.
- Se não tem porque treinar a gente? - perguntou Arms.
- Em que faremos diferença, somos crianças e Havenna é uma mulher comum - falou Yohann com toda a sua astucia.
- Vocês fazem parte de um plano do conselho dos guardiões, só uma equipe especialmente treinada poderá mudar o destino da nossa galaxia, que só para esclarecimento de vocês caminha para o fim - falou Leon abrindo um painel em nossa frente onde um gráfico de estrelas apareceu.
- Este é mapa tridimensional da nossa galaxia - disse mestre Neitan - aqui neste lugar era para estar Derstronbyd a terceira lua de Derioth - mostrou para um lugar vazio no espaço.
- Derstronbyd foi destruída a milhares de anos - disse Danieuls que como eu já disse parecia ter um QI bem mais evoluído que o dos outros.
- Há 1600 anos exatamente - disse Leon.
- E o que a destruiu? - perguntei.
- A mesma força que mantém os portais alinhados e que dá vida ao universo - disse Mestre Neitan.
- A fonte de energia que usamos para manter os portais alinhados são chamadas de Chamas de Silmarillion que brilha no centro do planeta Destron que não é habitado, a lua Destronbyd era o mais proximo do planeta que se podia chegar. Lá estão as luzes do presente, passado e do futuro e que juntas dão harmonia ao universo - completou.
- Harmonia que não existe mais, porque? - perguntou Arms.
- Porque a força das luzes eram controladas por uma pessoa que traiu a todos e destruiu as pedras que eram a chave de controle do portal principal para Destronbyd junto com o planeta - disse Browmer.
- E como ainda usam os portais? - perguntei.
- Temos uma reserva de energia em uma das pedras que conseguimos salvar, mas isso não vai durar muito tempo - explicou Neitan.
- Como assim não vai durar muito tempo? - perguntou Yohann entrando pela primeira vez na conversa.
- Nosso planeta assim como vários outros que se foram, está com os dias contados - falou Browmer.
Uma onda irradiada a 1600 anos vem destruindo todos os planetas, luas e asteroides onde existem portais como um buraco negro engolindo tudo o que vê pela frente.
- Mais e a Terra - nessa hora eu me desesperei - lá existe um portal - eu me levantei e procurei pelo mapa em 3D virando-me de um lado para o outro e não encontrava o que procurava - onde ela está? - falei quase que implorando por uma resposta.
- Sinto muito mais a Terra já foi atingida e não existe mais, foi por isso que tivemos tanta pressa em buscá-la - respondeu Leon o mais gentil dos quatro.
- E quando ela foi destruída? - perguntei.
- Depois que você partiu em 2025 ela só durou mais 30 anos - falou Neitan mostrando o exato momento em que a Terra foi destruída por um única explosão.
                                            A luz brilhante no centro da gravação em 3D refletiu em meus olhos e as lágrimas escorreram por todo o meu rosto. Porquê, porquê? Como? E todos os meus amigos? Estarrecida como tudo eu me sentei e esperei por mais explicações que vieram aos poucos e menos rudeza nas palavras.
- Não podíamos fazer nada, assim como não pudemos fazer nada para salvar Aldunjairds planeta natal de vocês três que explodiu a 7 anos de onde só vocês foram salvos - falou Leon.
- Porque só nos três? - perguntou Arms também com lágrimas nos olhos ao ver as imagens no transmissor.
- Vocês já tinham sido escolhidos para serem guardiões pelo processo seletivo natural e sua mãe os trouxe para Derioth quando tinham 2 anos - falou Neitan.
- A mãe deles? Quer dizer que os três são ..... - não terminei a frase.
- Irmãos gêmeos - completou Flayner entrando na conversa como se a informação fosse nos alegrar.
- É só o que me faltava! - exclamou Arms - eu irmão desses dois bobões.
- Então isso te faz um bobão também - falei tentando achar graça na coisa.
- Engraçadinha! - disse Yohann.
- Mas porque não viemos para o templo na idade certa, ao quatryo anos? - perguntou Danieuls sempre mais curioso que os outros.
- Tivemos um problema com a mãe de vocês que não deixou autorização, ela voltou para Aldunjairds para resolver um assunto de família e iria voltar mais o planeta explodiu. Daí vocês só poderiam entrar para o colégio quando completassem 8 anos que é quando os guardiões são liberados das obrigações familiares.
- explicava Neitan.
- Quando não temos mais para onde voltar, ou para quem reclamar sobre o tratamento que nos será dado, é isso que você quer dizer? - falou Arms.
- Praticamente? - perguntou com ar sinistro - Sim, é isso. Podemos fazer o que acharmos correto, que ninguém vai se importar, então é melhor seguirem de agora em diante todas as ordens, pois vocês não tem para quem reclamar, nem mesmo para onde voltar, o que o caso de todos vocês - falou.
- E além do fato de nossos planetas terem sido destruídos o que mais temos em comum, para fazer parte desta equipe tão especial como vocês estão dizendo - perguntei com tom de deboche.
- Nada, mas talvez nos como grandes guardiões do tempo encontremos um jeito de treinar vocês para que controlem os portais a tempo de os fecharem antes que Derioth exploda - falou Browmer.
- Nós? Isso é uma piada! - disse Danieuls.
- Porque vocês mesmos não fazem isso já que são tão grandes e poderosos assim? - perguntei mais debochada ainda.
- Porque não temos tempo mais para isso, porém vocês terão todo o tempo do universo - falou Neitan - isso, se sobreviverem ao treinamento, o que eu duvido, mas já que o conselho dos guardiões pediu, eu não vou negar um pedido deles. Mas saibam que eu só vou considerar vocês prontos quando realmente estiverem. Não esperem piedade, nem carinhos, nem mesmo consideração ou méritos de minha parte pois eu não acho que são a melhor escolha, mas já que estão aqui, agora passarão a ser a melhor escolha de todos os tempos - ele terminou de falar desligou o holograma e fez um sinal com a cabeça para Flayner que logo nos encaminhou de volta para o alojamento.
- Amanhã estejam prontos as 6 da manhã, eu pessoalmente virei buscá-los - disse a moça ao se despedir olhou para traz e disse com ar de profunda tristeza - eu sinto muito, mas nem tudo está perdido, aqui vocês vão aprender que o tempo não é nosso inimigo, mas sim nosso maior arma - e saiu logo em seguida.
                                       Deixei os meninos na sala e fui para o quarto onde minhas lágrimas poderiam rolar livremente, não adiantava mais chamar o time do Real Madri pois não haveria mais campeonatos para se ganhar na Terra, nem os vingadores ou super-homem. Meus amigos de Steyrtelvan na Romênia estavam todos mortos e o que pra mim tinham sido alguns meses, para a Terra tinha sido 200 anos. O sono veio e os sonhos também, mas o que era sonho e o que era realidade neste exato momento da minha vida?


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Um pouco de luz na escuridão



                                       Já passava do meio dia quando terminei o serviço na lavanderia. Com o carrinho agora carregado de roupas limpas e passadas me dirigi ao alojamento, passando por vários corredores que na ida eu nem notei por causa da pressa, tive a nítida impressão que estava sendo observada por todos a minha volta. Mas isso não me importunava tanto quanto a fome que me atacava, o cheiro da comida no refeitório era delicioso mas eu tive que passar direto, pois não tinha permissão para entrar.
                                        No alojamento Yohann havia terminado de limpar o sofá, o que me deixou impressionada pois parecia novinho. Os outros ainda não tinham voltado da oficina com os objetos quebrados e as tintas.
- Eu estou com tanta fome, e você?  - perguntei.
- Será que não podemos descer para o refeitório? - perguntou o menino levando a mão na barriga.
- Aqui no tablet não mostra que temos permissão para entrar - respondi.
- E os outros? - perguntou o menino me ajudando a arrumar as camas e as roupas nos armários.
- Devem estar chegando, pelo tablet dar pra ver que estão a caminho - respondi.
                                       Depois de meia hora eles chegaram com tudo concertado e já correndo colocaram tudo no lugar. Arms trouxe o carrinho com as tintas e rapidamente começamos a pintar tudo. As duas horas Flayner chegou acompanhada de um ajudante do refeitório que nos trouxe o almoço. Não precisou nem dela falar para podermos atacar a comida.
- Desculpem-me - falou a moça - eu me atrasei um pouco com os relatórios e esqueci completamente de vocês - completou enquanto olhava nosso serviço e anotava tudo no seu computador de mão.
- Não tem problema o importante é que chegou antes que morrêssemos de fome - disse Arms com a boca cheia.
- Parece que vocês vão terminar tudo a tempo do Mestre Neitan chegar - disse a moça.
- Vamos, mas você disse que estava fazendo relatórios e eu notei que você está fazendo anotações o tempo todo, sobre o que você está escrevendo? - perguntei.
- São relatórios sobre o comportamento de vocês, a programação letiva e  tudo que vão fazer durante a semana - disse a moça um pouco eufórica com o seu trabalho.
- Parece que você está gostando de trabalhar conosco - falou Danieuls.
- E quem não gostaria de trabalhar com a equipe mais importante de todos os tempos em Derioth - falou a nossa secretária entusiasmada.
- O que temos de tão especial? - perguntou Arms.
- Não tenho permissão para lhes dar explicações detalhadas, mas como vocês estão preocupados eu posso lhes adiantar que vocês são muito importantes para os planos dos Conselho dos Guardiões - afirmou a moça que se retirou do alojamento junto com ajudante do refeitório.
                                            Ficamos por meia hora descansando depois da refeição e enquanto isso não conversamos nada só admiramos o nosso serviço. Levantei e me dispus a limpar os resíduos de tinta no chão, os outros recolheram os aparatos de limpeza e os restos das tintas.
- Acho que terminamos - falei olhando ao redor.
- Éh! Pode chamar o tal Leon para buscar essas coisas - disse Arms.
- Como será que eu faço isso? - perguntei para Danieuls mostrando-lhe o tablet.
- Aqui é só apertar aqui e vai chamá-lo - disse o menino.
- Como é que você sabe disso, gênio? - perguntou Yohann em tom debochado.
- Eu presto atenção nas coisas seu idiota - respondeu o menino a altura.
- Podem parar por aí! - falei com autoridade - se começarem a brigar eu vou chamar é o tal Neitan para vocês - e logo apertei a tecla do tablet, rapidamente Leon atendeu o chamado.
- Olá! Precisam de mim? - perguntou o rapaz.
- Sim, terminamos o serviço e o que faremos agora - perguntei.
- Vou mandar alguém buscar as coisas, depois vão se arrumar para a vistoria do Mestre Neitan que já deve estar chegando - e logo desligou.
- Pronto vamos nos arrumar para o tal NEITAN - disse ironicamente.
                                            Fui para o meu quarto e me arrumei, quero dizer, tomei um bom banho e vesti aquele uniforme horrível, que me deixava igual a um homem. Como o templo só tem homens, não tinham roupas para mim. Depois me joguei no sofá da sala esperando o Mestre. Os outros anjinhos ficaram ao meu redor todos bem comportadinhos quando a porta se abriu exatamente a dezoito horas.
- Hora, vocês conseguiram deixar isso parecido com o que era antes terem destruído - falou entrando pela sala indo em direção ao quarto - não está perfeito mas tudo bem - me acompanhem.
                                            Sem dizer mais nada saiu pelos corredores com toda a pompa de um grande mestre e nós, lógico, atrás feito uns carneirinhos. Descemos pelo elevador até o primeiro andar e saímos para um outro pavilhão que ficava do outro lado do jardim, ao entramos vi Flayner, Leon, Islaiden e um outro cara com um uniforme igual ao dos outros.
- Vamos entrem rapidamente - disse o mestre e sem mais delongas foi nos apresentando - bem Flayner vai ser uma espécie de secretária sua Havenna, já que é uma mulher e não estamos acostumados com isso aqui no templo, ela vai lhe dar o que precisar.
- Isso inclui roupas novas? - perguntei.
- O que tem de errado com essas? - falou imediatamente.
- São de homem, não deu pra notar? - perguntei.
- Agora que disse - falou muito irônico - depois vocês veem isso e continuando as apresentações estes são Leon, Islaiden e Browmer que comigo formam os Guardiões do Tempo.
- E estão nessa a mil anos? - perguntei rindo.
- Um pouquinho mais de mil - disse Islaiden que parecia não ir com a minha cara.
- Pensei que era brincadeira - disse Arms - vocês não parecem tão velhos.
- É não parecemos, mas somos e não é só anos que temos a mais que vocês ou qualquer um aqui neste templo, mas também sabedoria, força e uma missão a cumprir.
- E agora vamos saber do que se trata? - perguntou Danieuls.
- Não é da conta de vocês, a única coisa que devem saber é que vão ser treinados por nós durante doze anos sem trégua e quando chegar a hora saberão o verdadeiro motivo - disse o mestre.
- Vamos treinar só com vocês ou com os outros mestres também - perguntou Yohann.
- Com todos, os horários de vocês foram calculados pela senhorita Flayner de modo que vocês acompanhem os outros alunos e tenham tempo para treinar conosco - falou Leon.
- E o que vamos aprender com vocês? - perguntou Arms enquanto eu olhava tudo com muita atenção.
- Defesa pessoal, artes marciais, arsenal coisas assim - disse Islaidem.
- Máquinas de guerra! -falei.
- O que disse? - perguntou Mestre Neitan.
- Querem fazer de nós maquinas de guerra, conhecimento dos guardiões do templo aliado a um treinamento de doze anos - falei.
- Porque acha isso? - perguntou o homem.
- Já vi isso acontecer uma vez e sei como é - falei me referindo a minha experiência nas forças de paz da Terra.
- Só porque erram com você uma vez não quer dizer que isso vai acontecer de novo - falou Leon.
- Não! Não vamos errar, será mais precisa do que antes e mais perfeita e com seus irmãos....- Islaidem ia terminar a frase mais eu terminei para ele.
- Seremos invencíveis- disse abaixando a cabeça.
                                    Cadeiras nos foram mostradas para que ocupássemos nos postos e um falatório sem fim começou. Não era bem essa luz que eu queria para a escuridão que me afligia, mas tudo bem, já era alguma coisa. O tempo era o maior aliado deles no momento pois insistia em não passar e eu tentava prestar atenção mais não conseguia tirar da cabeça a verdadeira intensão daquele treinamento. 







quarta-feira, 6 de junho de 2012

Onde está a calmaria que dizem que vem depois das tempestades?

                                            Esperei a porta se fechar para poder me sentar, com um único solavanco puxei um amontoado de coisas que estavam em cima do sofá e joguei contra a parede. Num sinal de raiva, descontrole, misturado à um pouco de desespero, levei as mãos ao rosto e um por alguns instantes permaneci imóvel. Flayner falou algo em seu comunicador e logo voltou a atenção para nós.
- Tenho que ir - disse a moça um pouco incomodada com o que ia dizer - mestre Neitan está me chamando, dois seguranças virão para auxiliá-los no precisarem, onde forem um deles irá com vocês, mas em hipótese alguma podem sair do alojamento sem acompanhamento. As refeições serão servidas aqui até segunda ordem - terminou de falar e se afastou.
- Pensei que éramos estudantes, não prisioneiros - falou Yohann.
- Parece que as coisas mudaram - disse Arms.
- Não! Não mudaram. Pelo eu sempre fui e serei uma prisioneira, agora eu não sei porquê e nem o quê vocês fizeram para estarem aqui - disse ao me levantar e me por a arrumar a bagunça.
- Tenho que ir, assim que puder voltarei. Tentem não arrumarem mais confusão enquanto isso - disse Flayner.
- Vamos tentar - disse Arms.
                                             Um longo trecho silencioso seguiu depois que a moça se foi, eu me afundei entre os cacos da sala analisando como seria o melhor jeito de arrumar tudo, enquanto eu pensava e esquematizava a operação limpeza o bip da porta soou novamente e dois seguranças uniformizados: e acredite "armados" entraram pela porta; com eles um rapaz de aparência mais agradável trouxe um carro de limpeza completo. Ele entrou e fez sinal com a cabeça para os outros que saíram.
- Eles vão ficar na porta, se precisarem é só chamar - disse como se estivesse com medo de mim.
- É impressão minha, ou você está com medo de mim? - perguntei olhando para o rapaz com um meio sorriso.
- Não! Lógico que não!  - disse todo desengonçado - é que ... que ... - gaguejou.
- Que...? - perguntei já aos risos.
- Deve que ele tá vendo está zona, e que você nos deu uma surra - disse Arms rindo - que idiota - ele quase rolou no chão de rir.
- Não é isso - respondeu o rapaz começando a rir do jeito do menino falar.
- E então? - perguntei.
- Não estou acostumado a trabalhar com uma aprendiz no templo e muito menos a ter que vir escoltado para uma faxina- disse o rapaz retirando alguns objetos do carrinho -  vocês realmente não formam uma equipe normal - falou o rapaz nos mostrando o que tinha a disposição.
- Isso eu já estava desconfiado - disse Danieuls - não precisava nem comentar.
- Como é composta as outras equipes? - perguntei enquanto pegava uns sacos para a roupa suja e entrega para Danieuls - Vai no quarto e coloque a roupa fina de cama. Só a fina! - destaquei - e neste os edredons que estiverem sujos.
- Os meninos veem para cá com quatro anos de idade, aqui passa a ser a sua segunda casa - disse o rapaz.
- Eles tem família? - perguntou Yohan pegando um saco de lixo para recolher os cacos de vidro.
- Alguns tem outros não. Mas isso não importa muito depois de um tempo os pais abrem mão dos filhos para que eles se dediquem totalmente à ordem dos guardiões.
- Mestre Neitan disse que vamos ficar aqui por doze anos, os outros também ficam este tempo todo? - perguntou Arms com uma vassoura na mão.
- Doze anos? - repetiu o rapaz - é estranho porque vocês já devem ter oito anos, então estarão com vinte e um - falou o rapaz pegando um balde e uma esponja para mim.
- E o que isso tem haver? - perguntei recebendo minha ferramenta de trabalho.
- Todos os guardiões se formam com a maior idade, ou seja, dezessete anos. Porque vocês vão ficar mais quatro anos eu não sei - falou o rapaz balançando a cabeça.
- Deve ser pelo mesmo motivo que estamos aqui - disse Danieuls que veio do quarto com dois sacos cheios de roupa suja.
- E qual é o motivo que estamos aqui "gênio"? - falou Arms debochando do menino, que só de olhar dava para notar que tinha um QI bem acima da média dos outros dois.
- Não somos como os outros, nem nossa equipe é como as outras. Por isso não precisamos esperar um tratamento igual ou melhor do que é dado à eles, pois somos como vou explicar...- parou para pensar depois que jogou os sacos no carinho.
- Prisioneiros? - perguntou Arms.
- Não, seu idiota - falou o menino - também, mas além de prisioneiros somos cobaias de algum projeto científico que estes guardiões estão fazendo - falou o menino pegando outro balde que o rapaz lhe deu.
- Você pirou? - falei gesticulando voltinhas ao redor do ouvido mas os meninos ficaram sem entender.
- Pirou? - o que isso significa - perguntou Yohann.
- Ficou maluco, endoidou de vez, pirou na batatinha, escorregou na maionese essas coisas assim - eles continuaram me olhando sem entender - deixa pra lá, vocês todos não devem bater bem dos pinos - Desculpe-me - falei olhando para o rapaz que já estava se retirando com medo da pequena discussão que assistia - esqueci de perguntar seu nome.
- Meu nome é Leon e trabalho no setor de manutenção - disse com um ar mais aliviado.
- Não se assuste - falei olhando ao redor - eles são apenas crianças com um certo dom para destruir coisas, meu nome é Havenna - estendi a não em direção ao rapaz - Havenna Paravell.
- Muito bom em conhecer você Havenna Paravell - uma certa luz brilhou em seu rosto como se algo muito bom tivesse acontecido - sabe você e seus irmãos devem ser pessoas muito especiais, pois Neitan não é um mestre do templo.
- Então porque ele vai ser nosso mestre, e porque você falou que nós somos irmãos? Saí fora cara! - falei ironicamente.
- Os membros do templo são todos considerados irmãos, ou seja, o templo é uma irmandade. - disse o rapaz lentamente para que entendêssemos.
- Ah tá! Entendi! - disse um pouco sem jeito por causa da minha burrice.
- E Neitan é um dos quatro guardões do tempo que estão no posto já há mais de mil anos, ele e os outros 3 mestres que vão auxiliar vocês. Eles são muito conceituados, estão na listas dos mais indicados para assumirem um posto no conselho, e é muito estranho serem rebaixados ao cargo de mestres em um colégio para aprendizes - foi falando enquanto continuava a nos dar mais aparatos de limpeza.
- E o que os outros mestres do templo falam a respeito disso? - perguntou Yohann.
- Nada! Simplesmente acatam as ordens sem questionar. Afinal uma ordem dos mestres do conselhos não se contradiz - falou o rapaz me entregando um tablet robô - isso vai lhes mostrar onde fica a lavanderia, a oficina de reparos e como chegar lá sem problemas com as portas, não desviem do caminho marcado ou serão barrados e levaram mais uma suspensão - avisou o rapaz. e se despediu.
                                     Não demorou muito para que limpássemos a bagunça, agora era levar as roupas para lavar e passar, e buscar tinta para as paredes e levar o que foi quebrado até a oficina.
- Eu cuido das roupas e vocês, Arms e Danieuls vão para oficina enquanto Yohann tenta retirar as manchas desse sofá.- nesse momento um zun-zun foi a unica coisa que ouvi mas com um grito abafei o caso.a
- Se quiserem posso trocar, então o que acham? - perguntei mostrando o carrinho cheio de roupas sujas.
- Pensando bem, eu acho que vou para a oficina - disse Arms.
- Eu te acompanho - completou rapidamente Danieuls.
- E como vou limpar esse sofá? - perguntou Yohann - pelo que eu me lembro ele era branco e agora esta rosa.
- Se vira, na hora de sujar você achou um jeito fácil, quem sabe agora você não encontre um jeito. Mas só pra não dizer que eu sou carrasca experimente passar isso - entreguei um vidro e uma escova - vai dar uma espuma depois pegue o aspirador e seque bem, acho que vai ajudar.-  e sai com o carrinho para a lavanderia.
                                   O tempo parecia que não passa naquele lugar, eu já estava com fome, cansada e não tinha lavado e passado nem a metade da roupa que do carrinho. Agachei para encher novamente a maquina de secar e quando me levantei Leon estava de pé ao meu lado.
- Nossa você sabe como chegar sem ser notado! - exclamei.
- Vim dar uma olhada no seu serviço - falou o rapaz.
- Neitan te colocou de vigia? - perguntei sem parar de trabalhar.
- Mestre Neitan, você tem que aprender a chamá-lo do jeito correto - corrigiu o rapaz - e sim sou seu vigia por um bom tempo a partir de agora.
- O que você faz aqui no templo? - perguntei.
- Sou o seu quarto mestre - falou sem rodeios.
- Um guardião do tempo, por conta de ficar de babá de um bando de crianças e de uma prisioneira - falei debochando.
- Você não é uma prisioneira comum, e os meninos não são crianças comuns, são aprendizes guardiões e isso faz diferença.
- Ah tá bom! E talvez você possa me falar qual o crime que eu cometi para estar pressa aqui, e ter que voltar a estudar com crianças de oito anos - perguntei me aproximando um pouco mais dele o que fez com que ele recuasse.
- Não lhe faria bem se soubesse agora, quando chegar a hora certa você saberá - falou já se retirando se sentindo constrangido do jeito com que eu me aproximei.
- Mistérios que só o tempo poderá dizer, o problema é que o tempo aqui passa muito, muito devagar.

sábado, 12 de maio de 2012

O primeiro dia de aula é inesquecível.


                                 Eu não estava com medo do que poderia acontecer comigo, mas temi pelos meninos. Apesar de não merecerem,  porque eram umas pestes, porém no fundo eu sabia que eles não tinham a menor noção do que era a vida militar; a disciplina e principalmente o que eram "regras". Enquanto eu analisava a situação, Flayner entrava na sala comum acompanhando um homem com um uniforme impecavelmente alinhado, a calça e o sobretudo eram  marrom-escuro combinava enquanto a camisa e o cinturão estavam em dois tons mais claros. Por um instante baixei os olhos ao chão e o brilho das botas me fez lembrar do motivo daquele caos: BOTAS! Levantei os olhos e decidida a explicar toda a situação olhei direto para seu rosto. Foi terrível! Nunca senti algo assim. Fiquei muda, mais rígida do que já estava. O homem que eu vira na noite anterior contemplando o jardim, era ele. De noite e de longe, eu já achei ele lindo, mas ali, com tanta luz e de tão perto parecia que estava tendo uma visão de um anjo. Seus cabelos eram de um loiro bem discreto, médio, os olhos eram azuis, a pele branca sem marcas, ele parecia ter mais ou menos um metro e oitenta ou um e noventa. O corpo de um verdadeiro soldado, forte com tudo no seu devido lugar. Não podia ser pior, ser sequestrada do meu planeta, colocada em um centro de treinamento de guerra e ter como mestre uma versão extraterrestre do Brad Pit! Não dá!
- Alguém pode me explicar o que aconteceu neste alojamento? - falou o homem andando lentamente entre os escombros da sala - o silêncio persistiu e ele novamente perguntou - Vou perguntar só mais uma vez, alguém pode me explicar o que aconteceu aqui? - e ao terminar a frase parou encarando Danieuls. O menino amedrontado se esquivou para o canto da parede, o mestre se abaixou e levou a mão em seu rosto tocando suavemente como se quisesse retirar algo.
- O que é isso? - perguntou ao se levantar mostrando a mão suja com um pigmento vermelho.
- Não sei - respondeu Danieuls - quase chorando.
- Como não sabe? - Está em seu rosto e você não sabe? - perguntou o homem energicamente.
- É baton, senhor. - respondi as pressas e fazendo posse de militar. Ele se virou para ver de onde vinha a voz e olhando para mim com um jeito debochado falou.
- Que bom que conhece as normas básicas de" sim senhor"e "não senhor", porém eu estava falando com ele não que você Havenna Paravell - falou com toda a autoridade do mundo - fui claro? - perguntou.
- Sim, senhor - respondi.
- Então, onde estávamos antes de sermos interrompidos? - perguntou olhando para Flayner que até então não tinha se manifestado.
- O senhor estava analisando as manchas no rosto do menino Danieuls - falou a moça - Neitan então analisou toda a sala com uma única olhadela e logo perguntou.
- Porque tenho a impressão que o quarto de vocês três deve estar igual ou pior a essa sala e que o seu quarto Havenna deve estar intacto - ao se virar ele pegou o estojo de maquiagem no chão todo quebrado e  jogo-o novamente de lado, esbarrou o bico da bota em um dos bandejões do refeitório, parecia que a qualquer hora ele perderia a paciência mas não, sua frieza era o que diríamos na Terra: "siberiana'.
- Meu nome é Neitan Donazant, eu e mais três guardiões seremos seus mestres a partir de hoje, os outros se alternaram entre as disciplinas, mas eu terei a honra de acompanhar vocês durante todo o dia, a semana  inteira, o ano inteiro, nos próximos doze anos. Agora que fui devidamente apresentado quero explicações e vamos começar bem do inicio, que deve ter sido por volta das onze horas da noite, que foi a hora em que eu ouvi um barulho vindo daqui - parou e olhou todos um por um.
- Eu os deixei por volta das dez horas depois que Mestre Kanji os liberou da detenção, pedi que o jantar fosse servido no alojamento já que estavam a muito tempo sem comer, depois fui embora - explicou Flayner.
- Certo! E depois? - perguntou. Durante um tempo os meninos se negaram a falar, o silêncio fazia que Neitan olhasse fundo nos olhos de cada um, isso incomodava muito. Parecia que uma luz azul saia de dentro deles e invadia a mente e alma da gente, até que o silêncio foi quebrado.
- Eu peguei os bolinhos do Yohann e ele me jogou purê na cara - respondeu Arms.
- Mas não acertou nele, acertou em mim - disse Danieuls - eu já tinha comido tudo e não havia nada pra jogar, então eu vi um pote de creme e joguei nele - falou o menino gesticulando como se tudo fosse uma festa.
- Uma guerra de comida e cremes - concluiu o mestre olhando para os meninos - mas e as mãos desenhadas nas paredes e os rabiscos? -
porque fizeram essas coisas? - perguntou olhando para as mãos desenhadas nas paredes.
- Depois de um tempo a guerra ficou chata e resolvemos desenhar - respondeu Yohann.
- Nas paredes e no sofá? - perguntou o mestre.
- E na cara do Danieuls - falou Arms rindo .
- Seu idiota - disse Danieuls avançando em cima de Arms.
- Meninos parem - disse Flayner.
- Parem!! - uma única palavra e tudo ficou quieto - Você! - falou apontando para mim - Onde estava durante todo este tempo? - perguntou alto mais sem se alterar.
- No meu quarto, senhor. - respondi imediatamente.
- E porque não interveio? - perguntou.
- Não percebi o que estavam fazendo, pra mim estavam apenas brincando, além do mais não tenho nada haver com o que eles fazem ou não - respondi.
- Você é a líder desta equipe e tem a obrigação de orientá-los - falou o mestre.
- Como assim líder? O que me deu o posto, senhor? - perguntei.
- Quantos anos você tem?- ele deu uma pausa na fala e depois voltou a falar - Mesmo que sua data de nascimento seja desconhecida , você tem o que aqui em Derioth chamamos de maior idade ou seja, você tem mais de 17 anos, então você é a líder - falou.
- Eu não pedi para ser, senhor - falei quase querendo fazer ele engolir o s.e.n.h.o.r.
- É e eu também não pedi para ser seu mestre. Vamos ter que conviver com isso pelos próximos doze anos e agora você poderia me dizer a sua versão do fato, tirando lógico a parte que eu já sei. - falou isso e passou perto de mim como se estivesse querendo dizer algo mais.
- E qual é a parte que o senhor já sabe, senhor? - perguntei tentando encontrar a resposta para aquela atitude suspeita.
- A parte em que você está na sacada do seu quarto, usando um shortinho preto, um top da mesma cor, apreciando a paisagem, enquanto seus colegas destruíam o alojamento. E não me venha dizer que não ouviu porque eu ouvi, por isso entrei para o meu quarto e fui até o setor de segurança ver o que estava acontecendo.
- Então o senhor sabia o que eles estavam fazendo? - perguntei injuriada.
- Não, eu não sabia. Os alojamentos não possuem câmeras de vídeo e muito menos escutas, isto é extremamente proibido - falou e depois que percebeu que estava me dando uma justificativa mudou completamente de assunto - agora comece me dizendo porque estas coisas estavam na sala comum e não em seu quarto - falou mostrando as maquiagens.
- Isso foi culpa minha senhor - interferiu Flayner - pedi para o serviço de entrega do shopping deixar as compras na recepção e quando fui pegar os meninos na detenção aproveitei e trouxe-os comigo. Pensei que Havenna poderia precisar de algo, mas ela estava dormindo e eu tive que deixar na sala, pensei errado.- disse a moça abaixando a cabeça.
- Resolvido. - disse olhando para as maquiagens - Os bandejões também já foram explicados - só falta uma coisa - falou levantando a mão para o ar - Cheguei aqui as seis horas e vocês sabiam disso, porque não estavam prontos? - perguntou.
- Eu estava, senhor. - respondi - quando abri a porta e vi a bagunça fui até o quarto e como o senhor mesmo já imaginou ele está pior do que aqui - o mestre fez uma cara nada agradável e saiu em direção ao quarto e nós o acompanhamos. No quarto dos meninos o cenário era de guerra civil, e mestre Neitan estava tentando juntar as peças que levaram a sua eclosão.
- Onde eles estavam quando você chegou aqui? - perguntou - o que estavam fazendo? - falou novamente tentando entender e se livrar de umas coisas que tinham embaraçado em suas pernas.
- Dois deles estavam aqui dentro e um estava lá fora na sacada. - falei apontando para a varanda.
- Quem? E o que ele fazia lá? - perguntou.
-  Eu! - respondeu Arms - eu dormi lá fora - disse sem muita cerimônia.
- Porque? - perguntou.
- Eles me trancaram lá - disse apontando para Yohann e Danielus. - os meninos fizeram aquela carinha de desentendidos.
- Porque fizeram isso com ele? - perguntou o mestre já coçando a cabeça em sinal de nervosismo.
- Esse idiota pegou minhas botas e não quis devolver, então ... - Arms parou de falar com medo de ser repreendido.
- Então o quê? Vamos Arms o que aconteceu? - insistiu o mestre.
- Ele quase enfiou minha cabeça no sanitário, só não o fez porque o Danieuls não deixou - disse Yohann.
- Aí vocês começaram a brigar e resolveram jogar o Arms para fora do alojamento? - perguntou o mestre.
- Isso depois que eu fiz eles se ajoelharem de tanta pancada - falou o menino rindo.
- Já chega! Vocês conseguiram. Entraram para a história como a primeira turma desta escola que nem sequer saiu do alojamento no primeiro dia de aula e conseguiu uma detenção de trinta dias - disse saindo do  quarto. - Flayner? - falou parando na porta de entrada da sala comum - quero que designe dois guardas para auxiliar nossos calouros, a reforma e limpeza da bagunça do que fizeram, é problema deles. -  ele já tinha saído mas voltou - E só para não ficar nada sem explicação: você Havenna é a líder, portanto, você também está em detenção e também vai ficar de castigo na limpeza e reforma do alojamento. Quero tudo do jeito que era antes e fique atenta aos uniformes. -  ele saiu e o ar ficou pesado muito pesado.
                                    Eu olhava para o alojamento e queria sumir, enfrentar guerras, passar por barreiras e fugir em meio a bombardeios não é tão difícil, pois do outro lado sempre há algo que se procura: glória pela missão cumprida, pelo dever e pela honra de seu povo. Mas ali, não havia nada para mim no final daquela guerra, não havia premio, nem mesmo um objetivo. Sobreviver, estava sempre em segundo lugar, primeiro era cumprir a missão, mesmo que morre para que um companheiro terminasse fosse o objetivo.
                                   Algo poderia acontecer para me dar um motivo e aí sim, mestre Neitan teria sérios problemas em suas mãos.


 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

                                                     Sempre há um dia seguinte.



                             O alarme do despertador soou cedo, bem cedo, o que para mim não foi nenhum incomodo
já que estava acostumada a me levantar antes do nascer do sol. Ainda meio atordoada pelos acontecimentos do dia anterior, ou dos meses anteriores, já que eu tinha ficado dormindo por três longos meses. Sentei na cama e parei para admirar a linda paisagem que se formava diante da janela do meu quarto, uma linda cadeia de montanhas com altos cumes cobertos de neve cercava ao longe um campo de várzea. O rio que vi no dia anterior, desembocava em uma dessas montanhas bem perto dali, formando uma linda e gigantesca cachoeira que depois se acalmava em um belo lago nos fundos do jardim do templo. Toda aquela beleza e harmônia natural me fizeram lembrar da Terra, meu querido e adorado planeta Terra que no início do século XXI agonizava em todos os aspectos. Neste momento achei melhor levantar e me aprontar para a nova vida pois a outra havia ficado a anos luz dali e se algum dia eu voltasse seria apenas um monte de areia cheia de lixo radioativo.   
                            Vesti meu uniforme, que só para deixar como nota, ficou horrível pois parecia roupa de homem, e fui para a sala comum esperar pelo instrutor e por Flayner. Sempre quando se assiste à um filme de terror ou suspense tem aquela musiquinha chata para dar a impressão que a pessoa se assustou, pois é, não tinha música mais o susto veio e veio com tudo. Quando eu abri a porta do meu quarto a sala comum ou sala de estudos, estava de cabeça para baixo, tinha papel rasgado para todo lado, comida, suco, bandejões de restaurante e isso sem falar nas paredes e no sofá. MEU DEUS!!!!O sofá branco como neve estava parecendo tapete da porta de um lixão. Nas paredes tinha .... espera aí!!!! Mas isso são mãozinhas desenhadas com baton? É baton,! Meu baton nas paredes, minha maquiagem, meus perfumes, cremes, esmaltes, as coisas que eu e Flayner compramos no shopping estavam destruídas, esparramadas por toda a sala comum. Fui em direção ao quarto dos três diabinhos chutando a porta, mas quanto entrei fiquei mais aterrorizada do antes. O quarto deles estava pior do que a sala, não dava para saber o que era roupa ou que era menino, as malas abertas jogadas no chão, livros, sapatos, caixas. Levantei na cabeceira da cama o edredom, mas achei apenas o pé de um deles, nervosa puxei com muita força e chamei.
- Você? - disse sacudindo o menino para que acordasse - qual o seu nome? - perguntei um pouco mais calma esperando que ele acordasse.a
- Yorann - respondeu seco sem mais palavras.
- O que aconteceu aqui, que bagunça é essa? - perguntei indo em direção a outra cama para acorda mais um menino - onde estão os outros? - Você é mudo ou é surdo? - fui perguntando e não percebi que o menino tinha voltado a dormir e que eu estava falando sozinha. Yohann? Yohann? Acorda! - Sacudi mais uma vez o menino.
- Dá pra me deixar dormir? Eu estou cansado!- falou o menino deitando de novo na cama.
- Ah! Sim! Eu vou deixar só não sei se o instrutor e Flayner que vão chegar daqui a exatamente cinco minutos vão deixar.
- Instrutor? - falou uma vozinha vinda do cantinho esquerdo do quarto.
- É o instrutor, mestre, professor, sei lá como chamam a pessoa que vão nos vigiar aqui neste lugar - respondi procurando pelo terceiro menino - Qual é o seu nome?
- Danieuls - respondeu um menino um pouco mais sorridente.
- E onde está o outro? - perguntei depois de revirar toda a terceira cama e não encontra nenhum sinal dele.
- Que outro? - perguntaram os dois ao mesmo tempo e isso me deixou de cabelo arrepiado.
- O terceiro garoto - perguntei apontando para a cama.
- AH!!! O idiota do Arms - falou o loirinho sorrindo para Yohann - é do Arms que ela esta falando não é?
- Claro que é dele - falou o menino.
- Não sei o nome dele e nem quero saber, eu quero saber onde ele está - falei perdendo a pouca paciência que eu não tinha com crianças.
- Está lá fora - respondeu o menino levantando em meio aos escombros do quarto.
- Lá fora onde? - perguntei sem entender.
- Lá fora, na sacada - respondeu o Danieuls dando de ombros.
- Meu Deus!  - corri para a varanda do quarto, abri a porta e no cantinho perto das plantas estava o menino  enrolado em um cobertor, ele dormia como um anjo assim como os dois anteriores. Fui em sua direção para acordá-lo devagar para não assustá-lo e tentar encontrar uma explicação para aquela bagunça, quando  ia me aproximando ele acordou, virou-se para mim num ar bem debochado.
- Olá! Esta invadindo minha privacidade sabia? - e sorriu, mas sua atenção em mim durou só até aí, algo o desviou para dentro do quarto e como um foguete ele entrou para dentro - Tire já essas botas! - falou Arms para Yohann.
- Elas não são suas, são minhas - disse o menino.
- Quem disse? - perguntou Arms, o menino que estava na varanda.
- Eu disse!! - falou Yohann em tom de desafio.
- Ah! É assim? Você é que pediu - ele terminou de falar e foi desferindo socos e pontapés no menino que em pouco tempo entregou as botas para ele que perguntou - E agora de quem são as botas? - e saiu para o banheiro todo contente.
- Vocês brigaram por causa de um par de botas? - perguntei indignada.
- Elas são muito bonitas - falou o menino loiro.
- São todas iguais, aqui é uma escola, isso é um uniforme. Tudo é igual, o que este par de botas tem de diferente? - perguntei mostrando as botas que Arms colocou em cima da cama.
- Pensando assim, não tem nada, mas ficou bem no meu pé. A minha ficou apertada - falou o menino.
- Usa-se uma do outro uniforme até que Flayner trocasse para você - falei como se ele fosse o mais burro do mundo.
- Não pensei nisso - confessou Yohann.
- Seu burro - disso Daniels rindo.
- Burro é você - e novamente começou a sessão pancadaria.
- Parem, chega, estão me ouvindo, chega!! - Yohann? Daniels? Parem! - eu pedi, eles não pararam então resolvi dar um basta, peguei Daniels com uma chave braço e derrubei Yohann com um drible de pernas. Os meninos arregalaram os olhos e Arms ficou só olhando, dava para sentir que eles ficaram impressionados, mas não assustados, não tinha medo, aquele típico suor frio e o palpitar da pele que as pessoas têm quando se assustam, não estava presente naquele lugar, HAVENNA PARAVELL não é mais a mesma.
- Legal! Como que você fez isso? - disse Yohann em tom entusiasmado.
- Não interessa, vão se arrumar - e virando sai indo para a sala. Daniels veio atras com os outros a tiracolo.
- Disseram que alguém especial da ANTIGA ERA iria fazer parte da nossa equipe, mas você não tem cara de ser velha - comentou o menino enquanto  me analisava para tentar adivinhar a minha idade.
- Não sei quando e onde ocorreu essa ANTIGA ERA, então, não posso garantir para vocês se faço ou não parte dela - falei brincando.
- Há oito mil e quinhentos anos em Donsgfocus, terceira lua de Derioth - respondeu Yohann.
- Com certeza ...., não sou eu. Não tenho oito mil e quinhentos anos, meu planeta chama-se Terra, está em uma galaxia do outro lado do universo.
                                 Neste exato momento o ponteiro do relógio marcava seis horas da manhã e bip avisou o abrir da porta, não olhei para ela, mas sim para a sala, não pensei na bagunça, nem em quem fez a bagunça, mas sim o que fez a sujeira, e logo pensei  " ESTOU NUM MATO SEM CACHORRO".


               

terça-feira, 7 de junho de 2011

Anjos ou demônios? Queria não ter que descobrir.

                                 Flayner e eu passamos o dia todo no shoping da cidade dos guardiões comprando coisas básicas. Já que eu tinha ido para aquele lugar com a roupa do corpo. Compramos tudo o que eu precisava: escova de dentes, escova de cabelos, pasta de dente, perfumes, cremes e uma porção de coisas, tudo no cartão de crédito do templo. Parecia um sonho, porem as coisas eram muito iguais, não tinha muita opção de cores e modelos, para mim o melhor que conseguimos foi um kit completo de uniformes de aprendiz de guardião um pouco mais afeminado já que não existiam mulheres guardiãs. Mais ainda era ridículo.
                                 Depois de conhecer todas as lojas possíveis, fomos para o salão de beleza oficial da cidade. Era grande, luxuoso e cheio, tão cheio que o barulho das conversas era ouvido de longe. Na porta a recepcionista perguntou se tínhamos hora marcada e Flayner respondeu que sim mas quando ela falou o nome...
- Sim marquei hora para Flayner Aland e Havenna Paravell - foi como se ela tivesse jogado um balde de agua gelada em todo mundo e de uma hora para outra todos se calaram.
- A aprendiz de guardiã? - perguntou a recepcionista me olhando com olhos arregalados e antes que Flayner pudesse falar algo uma outra mulher tomou a frente dizendo.
- Pode deixar Ander, eu atenderei as senhoritas pessoalmente - a recepcionista fez um gesto para que passássemos e acompanhamos a mulher que me parecia ser a gerente do salão - Me desculpem, todos estão curiosos e eufóricos por causa das noticias deste ano, mas vamos lá o que quer fazer em seu cabelo Havenna Paravell.
                               O tempo no salão é sempre longo, mas assunto é o que não falta, principalmente quando uma mulher fará parte de uma irmandade milenar e será treinada por um dos homens mais cobiçados da temporada. O guardião Neitan e eu, éramos o assunto da vez, e os suspiros das mulheres quando se falava em seu nome já estava me deixando curiosa.
                               Já era tarde quando chegamos ao templo e Flayner foi chamada pelo telefone.
- Ah! Não, só pode ser problemas! - falou a moça levando a mão na cabeça - Havenna, você pode subir, deixar as sacolas em seu quarto e depois desça para jantar, vou ter que resolver um problema - falou saindo as pressas.
- Flayner? - chamei a moça que já estava quase virando o corredor - A porta não abre para mim - lembrei a moça sobre o pequeno detalhe.
- Ah! - disse pegando um aparelho - pronto a porta esta liberada, tem uma hora até que ela trave novamente - falou saindo.
                               Deixei rapidamente as sacolas em cima de minha cama e logo desci para jantar. Quando voltei a porcaria da porta não abriu, deve ter passado mais de uma hora, dei uns murros no painel mas logo um rapaz se aproximou.
- Algum problema? - perguntou muito educado.
- Essa porcaria não quer abrir - falei me virando e de costas na parede escorreguei até o chão.
- Você é Havenna Paravell a primeira aprendiz - falou o rapaz empolgado.
- Sim, mais isso não me ajuda nem a abrir uma porta - falei irritada.
- Não se preocupe, é assim com todos do primeiro ano, logo seu auxiliar vai chegar, tenho que ir, só aconselho a não dar murros no painel, isso pode ser prejudicial a você - falou o rapaz saindo.
                                Por quase uma hora, fiquei esperando por Flayner, e olhando a movimentação nos corredores. Os aprendizes já estavam chegando e o vai e vem pelo corredor já estava acabando, sinal que estava ficando tarde. O elevador se abriu e dele uma moça toda atordoada e eufórica saiu vindo em minha direção.
- Havenna, esqueci de programar direito a porta, me desculpe - falou abrindo a porta e entrando junto comigo no alojamento - Seus colegas estão na detenção por terem arrumado confusão logo na entrada do templo - falou a moça se sentando no sofá exausta.
- Os pestinhas já estão aprontando? - falei zombando.
- Você acredita que o tal Arms, deu um soco no Danieuls por causa de uma barra de chocolate dentro do onibus? - falou a moça indignada.
- Eles não esperaram nem chegar no templo?  Você disse que foi na entrada? - perguntei sem entender.
- O ônibus estava estacionado quando a briga começou e os seguranças tiveram que tirar um de cima do outro a força - disse balançando a cabeça.
- Não se preocupe, você não tem culpa - falei tentando amenizar as coisas - posso ir dormir? - perguntei.
- Sim pode, eu vou voltar para a sala de Mestre Kanji e ver a que horas eles serão liberados.
                                    A moça saiu e eu fui colocar todas as minhas compras no lugar. Demorei um bom tempo mas logo que acabei, tomei um banho e vesti um short de algodão e uma camiseta regata preta. Fui até a sacada apreciar a noite. O relógio da torre marcava onze horas, o que não era muito tarde já que o dia naquele lugar tinha vinte e sete horas. O vento frio fez com que meus cabelos se agitassem e quando ajeitei-os novamente olhei para a sacada do andar de baixo e percebi que havia um homem debruçado na grade também observando a noite. Tentei sair sem ser notada mais não deu, ele se virou bem devagar e se encostando na grade me olhou de cima até embaixo. Seus cabelos eram loiros, uma barba densa mais bem aparada, olhos de um azul tão intenso que pareciam ter me enfeitiçado. Vestia um roupão bege claro que deixava apenas uma pequena parte de seu peito a mostra. Eu estava paralisada pela beleza e encanto daquele homem, quando o vento soprou mais forte e me fez acordar do transe e rapidamente eu saí da varanda.
                                 Fui para a cama e fiquei lembrando daquela visão tão bela. Quem era ele? Mais um estrondo vindo da sala me fez pular da cama. Parei para ouvir do que se tratava e percebi que eram os anjinhos chegando depois da detenção. Flayner tentava falar, mais eles não ouviam, a bagunça era tanta que eu fiz questão de ficar de fora. Fechei a porta bem devagar e fui para a cama. O barulho era infernal, mas eu é que não era doida de ir tentar controlar o Huguinho, Zezinho e Luizinho, preferi deixar para Flayner o papel de Tio Donald.